EF Stories: Julinha Gomes do Brasil na EF Tóquio
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"Eu acho que vou chorar contando tudo o que aconteceu." Foi assim que Julinha Gomes, de 24 anos, começou a relembrar sua experiência de cinco semanas no Japão. E não demorou muito para as lágrimas virem, não de tristeza, mas da emoção de quem viveu uma transformação profunda em pouco mais de um mês durante seu intercâmbio em Tóquio.
Atriz e influenciadora, Julinha sempre teve uma rotina agitada entre gravações de novelas e compromissos profissionais. Mas foi em Tóquio, a mais de 18 mil quilômetros de distância de casa, que ela descobriu uma nova versão de si mesma. "Todo intercâmbio que você faz, você se conhece mais. Eu voltei com outra Júlia. Voltei com tantas ideias, com tanta vontade. No intercâmbio, você realmente começa a perceber o que você quer para a sua vida", conta.
Konnichiwa, Tóquio!
A jornada começou com um voo de 23 horas, nove horas até Nova Iorque e mais 14 até o Japão. Mas nem o cansaço da viagem foi capaz de conter a animação de Julinha. Assim que chegou na acomodação, deixou as malas no quarto e já saiu para conhecer Shibuya, um dos bairros mais icônicos de Tóquio, acompanhada de sua amiga, que a esperava para mostrar os caminhos.
Hiragana, Katakana e Novas Amizades
Na EF Tóquio, Julinha mergulhou de cabeça no estudo do japonês. As aulas eram totalmente imersivas, os professores falavam apenas em japonês, sem explicações em inglês. "Se você perguntava algo em inglês, a professora fingia que não entendia. Mas se fosse algo sério, ela falava. Eles fazem isso para você não ter vergonha e se forçar a perguntar", explica.
Foi nesse ambiente desafiador que ela aprendeu os três alfabetos japoneses: hiragana, katakana e kanji. E também onde conheceu pessoas do mundo inteiro. "Eu fiz amizade com um menino mexicano, o Bruno, a gente se fala ainda. Conheci gente da Suíça, da França, da Alemanha, de Madrid. Tem gente que foi para a Coreia depois."
Uma dessas amizades especiais foi com Vanessa, da Alemanha. "Na primeira aula, eu achei que ela não tinha gostado de mim porque ela era super séria. Mas aí eu vi que ela tinha um estojinho do Animal Crossing e falei: 'Nossa, eu adoro esse estojo!' E viramos melhores amigas." Hoje, elas se falam quase todos os dias, e Julinha já sente falta das conversas e risadas compartilhadas.
Segurança e Respeito: Um Novo Mundo
Uma das maiores surpresas, e saudades, de Julinha sobre o Japão foi a sensação de segurança. "Acho que uma das minhas maiores saudades do Japão é se sentir segura. Eu falo que eu poderia ter um filho lá. Você vê as criancinhas indo sozinhas para a escola. Muito diferente do Brasil."
Ela conta que esqueceu a mochila no Starbucks por uma hora e meia, com câmera, iPad, carregador, livros e cadernos dentro. "Quando voltei, estava tudo lá. Ninguém mexeu, ninguém tocou, ninguém abriu. Se fosse no Brasil, a gente deixa um pouquinho aqui, olha para o lado e não está mais."
Uma amiga dela esqueceu a carteira no trem e encontrou tudo intacto no achados e perdidos, incluindo o dinheiro. "É outra coisa. É muito diferente."
Vida de Estudante em Tóquio
Julinha ficou hospedada em uma residência estudantil da EF, em um andar exclusivo para meninas. "Eu tinha meu próprio banheiro, era suíte." A acomodação contava com cozinha compartilhada, área de estudos, academia e lavanderia.
Foi na lavanderia que ela teve uma das experiências mais engraçadas. "Eu achei que era só colocar a roupa e apertar o botão. Mas quando tirei, não estava cheirando nada. Esqueci de colocar sabão!" Depois de aprender o processo, e descobrir que também precisava de amaciante, ela criou uma rotina: deixava a roupa lavando enquanto assistia ao Big Brother brasileiro no quarto e jantava.
A rotina diária incluía 20 minutos de caminhada até a estação de trem, aulas na EF e explorações pela cidade. "Eu andava 25 mil passos por dia. Eu até falava para minha mãe: 'Preciso ir para a academia!' Mas como eu andava muito, compensava."
Neve, Ski e Lágrimas de Emoção
Entre os momentos mais marcantes da viagem, Julinha destaca a primeira vez que viu neve. "Eu nunca tinha visto neve na vida. Quando vi, comecei a chorar. Minha amiga Vanessa ficou tipo: 'Bro, chill, calm down, are you good?' E eu: 'Não, você não está entendendo. Brasil é um país tropical, a gente não tem isso!'"
Ela fez guerra de bola de neve e até esquiou pela primeira vez. "Desde pequena, eu sempre trabalhei muito. Não tive tempo de viajar e ver neve. Foi um momento muito especial."
Daruma: Resiliência e Objetivos Conquistados
Julinha trouxe do Japão um símbolo especial: o daruma. "O daruma é um símbolo de resiliência. Ele vem com os olhinhos brancos. Você tem um objetivo, pinta um olho. Quando conquista, pinta o outro olho."
O daruma dela já está com os dois olhos pintados. "Meu objetivo era ir para o Japão e eu cumpri. Voltei transformada, com outra visão de mundo, com vontade de aprender mais."
O Mundo é Amplo Demais para Ficar Parado
Hoje de volta ao Brasil, Julinha planeja continuar estudando japonês e manter vivas as amizades que construiu. "No intercâmbio, você começa a perceber que o mundo é tão amplo, a vida tem tanta coisa para aproveitar. A gente não pode deixar nada prender a gente. A gente tem que seguir em frente sempre."
E com os olhos ainda brilhando ao relembrar cada detalhe, desde as aulas de hiragana até a neve caindo pela primeira vez, Julinha resume: "Foi uma experiência que mudou minha vida. Voltei com outra Júlia."